Shampoo sem Sulfato: Saiba mais sobre o Lauril Sulfato de Sódio

Como um adendo ao nosso post sobre shampoos sem sulfato, neste texto quero compartilhar algumas informações sobre os riscos reais relacionados ao uso do Lauril Sulfato de Sódio, além de comentar as diferenças que existem entre ele e seu “primo” Lauril Éter Sulfato de Sódio.

Shampoo sem sulfato: nomenclatura (SLS e SLES)

Para começar, acho importante a gente alinhar a nomenclatura, para que o que dissermos aqui no post faça sentindo quando você ler os rótulos dos shampoos…

Desde julho de 2005, por meio da RDC 211/2005, a ANVISA passou a exigir que todos os ingredientes de formulações cosméticas sigam a nomenclatura internacional INCI (sigla em inglês para Nomenclatura Internacional para Ingredientes Cosméticos). É por isso que nos rótulos vemos os ingredientes escritos em inglês (se quiser saber mais sobre a decisão da ANVISA, clique aqui).

Sendo assim, a partir de agora, chamaremos o Lauril Sulfato de Sódio de Sodium Lauryl Sulfate (SLS) e o Lauril Éter Sulfato de Sódio de Sodium Laureth Sulfate (SLES).

sls_sles

Num primeiro momento, é fácil confundir Lauryl com Laureth, ou mesmo, pode parecer que o Laureth seja um derivado do Lauryl, mas eles são, na verdade, produzidos por vias completamente diferentes. Sem entrar no mérito químico, o que importa para nós é saber que o SLES é considerado um detergente de suave a moderado, enquanto que o SLS é considerado um detergente agressivo.

Mas o que significa, de fato, esta “agressividade”? É perigoso usarmos produtos que contem o Lauryl?

Na verdade não. O SLS não é considerado perigoso (até porque se assim fosse, seu uso seria proibido). Conforme mencionado no dicionário de ingredientes de produtos para cuidados para o cabelo da Milady (que é referência internacional):

“(…) Embora seja levemente tóxico e provoque alguma irritação, (o SLS) vem sendo utilizado com segurança há mais de 40 anos. Tornou-se o principal surfactante na maioria dos xampus por causa do seu baixo preço, suas boas cores e seu excelente desempenho, em termos gerais. Mas agora que surfactantes mais suaves e com propriedades condicionantes estão disponíveis, o uso do SLS tem diminuído consideravelmente”.

De qualquer forma, ele é reconhecidamente irritante para pele e olhos. Em estudos, há “correlações significativas” (nas palavras de um deles) entre o SLS e a dermatite de contato. O Journal of the American College of Toxicology diz que o SLS tem “um efeito degenerativo nas membranas celulares devido às suas propriedades de desnaturar (modificar a estrutura) proteínas”.

Entre estes estudos, escolhi um (acessar aqui) que demonstrou danos na córnea de animais após o gotejamento de diferentes concentrações de SLS. Neste mesmo estudo, foi demonstrado que concentrações progressivamente maiores de SLS em contato com a pele de animais, causam maiores níveis de irritação cutânea. A conclusão do estudo foi a de que o uso do SLS  parece ser seguro em formulações destinadas ao uso descontínuo e breve, seguido por lavagem (ou enxague) completa da superfície da pele. Em produtos destinados ao contato prolongado com a pele, as concentrações de SLS não devem exceder 1 %.

E quanto aos rumores de que o Lauryl provoque câncer?

Esta é mais uma, das várias, “lendas urbanas” que nascem da desinformação. E o pior, esta é velha. Em 1999, o Ministério da Saúde do Canadá lançou um comunicado de imprensa (12 de Fevereiro de 1999, a www.hc-sc.gc.ca/) dizendo:

“Uma carta tem circulado na Internet, afirmando que há uma ligação entre o câncer e o Sodium Laureth (ou Lauryl) Sulfate (SLS), um ingrediente utilizado em cosméticos. O Ministério da Saúde do Canadá debruçou-se sobre o assunto e não encontrou nenhuma evidência científica que sugira que o SLS provoque câncer. Ele tem uma história de utilização segura no Canadá. Ao investigar mais, descobriu-se que este e-mail foi um engano. A carta é assinada por uma pessoa do Sistema de Saúde da Universidade da Pensilvânia e inclui um número de telefone. Ministério da Saúde do Canadá contactou o Sistema de Saúde da Universidade da Pensilvânia e descobriu que ele não foi o autor deste aviso e não endossa qualquer ligação entre a SLS e o câncer. O Ministério da Saúde do Canadá considera o SLS seguro para uso em cosméticos. Portanto, você pode continuar a usar cosméticos que contenham SLS sem preocupação”.

O mais triste é ver que ainda há muito blogs repercutindo esta história (mais de 15 anos depois!), preocupando as pessoas sem base qualquer científica…

Devo, então, evitar usar produtos que contenham SLS?

Conforme mencionado no dicionário Milady, hoje em dia é raro encontrarmos produtos que contenham o SLS. A exceção são os shampoos de limpeza profunda, ou anti-resíduos, que por terem como proposta uma limpeza mais “pesada”, podem fazer uso deste ingrediente.

Mas se você possuir um shampoo que contenha o SLS, a sugestão é observar, após usar do produto, se sente algum sinal de coceira, descamação ou irritação geral no couro cabeludo ou mesmo irritação, coceira ou vermelhidão nos olhos. Muitas vezes temos reações de sensibilidade ou irritação ao usar cosméticos mas não correlacionamos estes efeitos ao uso dos produtos.

E quanto ao Laureth (SLES)?

O Sodium Laureth Sulfate (SLES) é usado na esmagadora maioria dos shampoos disponíveis no mercado (os que não o usam, são em geral, os entitulados “sulfate-free”). Como vimos no post dos shampoo sem sulfato, ele é um surfactante moderado.

Apesar de também possuir o potencial irritativo, diferentemente do SLS, não causa a desnaturação de proteínas e, com isso, os efeitos são mais brandos.

Aqui vale a sugestão dada para o SLS acima: observar sinais de irritação e, em caso positivo, substituir o produto por um shampoo sem sulfato ou infantil, ou mesmo alternar o uso destes com o produto com SLES (já que este último é mais eficiente na limpeza).

 

 

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